Descubra os malefícios do açúcar para a saúde do seu cérebro

10 months ago Longevidade, Nutrição, Saúde57

Cientistas do Reino Unido descobrem a primeira relação entre o excesso de glicose no sangue e a doença de Alzheimer.

Há algum tempo que a comunidade científica já sabe que os pacientes diabéticos são muito mais propensos ao desenvolvimento da doença de Alzheimer. Assim como sabem bem os riscos associados ao excesso de açúcar no organismo que podem levar ao desenvolvimento da diabetes. No entanto, foi apenas recente a relação encontrada entre os dois problemas, tendo sido desenvolvida num estudo sem precedentes realizado por 11 investigadores dos departamentos de Biologia e Bioquímica, Farmácia e Farmacologia e Química da Universidade de Bath. Neste estudo, aliaram informação e dados para o que pode ser um novo ponto de referência e de extrema importância para a compreensão da doença que assola um número crescente de pacientes em todo o mundo.

O que foi constatado?

Os investigadores descobriram a ligação molecular específica entre a glicose e a doença de Alzheimer.

A glicose em quantidades elevadas no organismo (hiperglicemia), passa a ter a capacidade de modificar as proteínas – processo denominado pelos investigadores de “ponto de inflexão molecular”, onde uma enzima crucial relacionada à resposta inflamatória e à regulação da insulina é danificada pelo excesso de glicose. Como as proteínas do cérebro agem no combate às infeções, quando são alteradas pela reação com o açúcar, perdem a capacidade de combate, aumentando o risco de uma inflamação crónica e persistente do cérebro, o que, consequentemente, leva ao Alzheimer.

Através de estudos efetuados em tecido cerebral com e sem Alzheimer, verificou-se que os cérebros daqueles que estavam nos estágios iniciais de Alzheimer tiveram a enzima crucial MIF (fator de inibição da migração de macrófagos) danificada. A enzima, que está relacionada com a resposta inflamatória e regulação da insulina, foi danificada através de um processo denominado “glicação” – que é a soma entre uma proteína e um carboidrato, tal qual a glicose mas sem a ação controladora de uma enzima.

Os investigadores defendem que o fator que ativa o progresso do Alzheimer está associado ao momento em que o MIF é danificado através da glicação.

“Normalmente, o MIF seria parte da resposta imune à acumulação de proteínas anormais no cérebro, e pensamos que porque o dano do açúcar reduz algumas funções do MIF e inibe completamente outros, este poderia ser um ponto de inflexão que permite que a doença de Alzheimer se desenvolva“- comenta o Professor Jean van den Elsen da Universidade de Bath sobre o estudo.

 

Diabetes tipo 3?

Face às respostas gerais sobre os processos de análise empregues no estudo de Bath, ficou claro que a doença de Alzheimer pode ser desencadeada pelo consumo de quantidades elevadas de açúcar.

Shannon Macauley, investigadora da Universidade de Washignton, nos EUA, está entre inúmeros outros investigadores que corroboram com as recentes descobertas e fortalecem o conceito de que a deficiência de sinalização de insulina tem um papel importante na patogénese da doença de Alzheimer. A autora da Publicação no The Journal of Clinical Investigation, também constata que pacientes com diabetes de tipo 2 ou com aumento de glicose no sangue têm um maior risco de desenvolver demência e afirma que a “diabetes e outras doenças que dificultam o controlo do nível de açúcar no sangue, podem ter efeitos nocivos na função cerebral e exacerbar condições neurológicas como a doença de Alzheimer.” Vários cientistas chegam mesmo a sugerir a sua tipificação como Diabetes tipo 3.

O estudo do Reino Unido, potencialmente inovador que foi publicado na revista Scientific Reports pode ter grandes implicações na compreensão da doença de Alzheimer e na sua relação com a nossa dieta alimentar. A doença de Alzheimer, também conhecida como “mal de Alzheimer”, é uma condição neurológica degenerativa e progressiva que atrofia o cérebro e culmina com o declínio irreversível de certas funções como linguagem, orientação no tempo e espaço, pensamento abstrato, memória, capacidade de realizar cálculos simples e tarefas quotidianas. Há já cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo afetadas com a doença, dos quais 1.2 milhões são brasileiros.

Pese embora o vínculo do açúcar com a obesidade e com a diabetes já seja um fator mais do que conhecido entre a comunidade científica, a compreensão geral da relação do açúcar com a doença de Alzheimer tem sido menos estudada, pelo menos até os dias de hoje.

Será muito açúcar?

Quantas vezes já ouviu falar em “ter que cortar o açúcar”?

Tal como tem sido referenciado pelos nutricionistas há anos – o nosso consumo de açúcar regista níveis acima da média. O aumento do nível de açúcar no sangue (hiperglicemia) oriundo do nosso consumo de refrigerantes e de outros produtos açucarados, já foi claramente estabelecido como um gatilho para o desenvolvimento de doenças como a obesidade e a diabetes.

Segundo o IBGE, no Brasil regista-se um consumo de cerca de 15 milhões de refrigerantes por dia. 1 em cada 5 brasileiros bebe refrigerantes todos os dias. Uma garrafa de 600 ml de refrigerante contém 15 colheres de chá de açúcar adicionado. E o pior, muita gente resolve “cortar” nos refrigerantes, optando por sumos de fruta industrializados, por acharem que são mais saudáveis. No entanto, esses sumos são simplesmente a substituição de um mal pelo outro. Sumos de fruta industrializados não mais do que água com açúcar, e atenção porque os níveis de açúcar são quase idênticos aos dos refrigerantes.

Portanto, beba água, e se for alcalina – melhor ainda. Mude os seus hábitos alimentares e acabe com os refrigerantes, sumos industrializados e açúcares adicionados, e isto não só para evitar o ganho de kilos extra, mas também para melhorar a sua qualidade de vida. Nem que seja por saber que ao consumir demasiado açúcar pode estar, literalmente, a “apodrecer” o seu cérebro.

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